quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Xīn Qiáng

Xīn Qiáng


Dizem que o Shogum Washiyama é severo, conhecido por sua ordem e honra acima de tudo, nada foge aos olhos do Shogum, casado com Xin seu sonho sempre foi o de um filho homem para dar continuidade aos seus feitos, porem ao invés disso a vida é abençoou com uma filha, Hoso Are.
No auge entre a guerra dos feudos, Washiyama ofereceu a mão de sua filha para o filho de seu grande rival Okina Chiroi, do Clan Tora Suihei Hokō.  Pelo tratado o filho de Okina governaria o feudo enquanto porem seu filho com Hoso Are levaria o nome de Washiyama. Isso “selou” um acordo de paz entre as famílias.
Xin tem uma péssima reputação por nunca mais ter conseguido ter filhos, os boatos que correm é que quase morreu no parto de Hoso Are e depois disso ficou infértil. Washiyama não respeita nem se importa, pois acredita que tanto Xin quanto Hoso Are são culpadas pelos problemas do reino, pois se tivesse um filho homem, ninguém estaria pensando em tomar seu reino que sempre foi de sua família, após sua morte. 

Hoso Are estava ansiosa, aguardando os novos comerciantes que viriam falar com seu pai, diziam que eles eram grandes e que seus olhos eram redondos e azuis, Hoso Are nesta época tinha 13 anos, e estava imensamente curiosa por ver esses comerciantes, claro que seu pai havia proibido que qualquer mulher da casa saísse, como sempre. Mas Hoso Are achava que se seu pai não visse, não haveria problema, andando descalça para não fazer barulho Hoso Are caminhou até a saída do feudo, correu pelos lugares que já conhecia que usava para esconder, quando seu pai estava com raiva. E por fim do alto dos murros da Oyá ( Casa Grande)  conseguiu avistar alguns, eram muitos homens e alguns tão novos quanto ela, eram enormes, usavam grandes armas e espadas retas, diferentes das armas que Hoso Are estava acostumada a olhar, mas o que impressionou Hoso Are eram os olhos, ficou por muito tempo observando aqueles olhos, quando menos percebeu o homem que estava observar, como se sentisse os olhos de alguém, procurou e encontrou os olhos de Hoso Are...

... 9 meses depois, Hoso Are estava na cabana da família afastada de tudo, convivendo somente com uma ama e com o Samurai Wushi Gai, estava chegando a hora do parto, a criança não parava de mexer, sabia seu fim. Morreria nas mãos do Samurai, seria executada sem nem ao menos olhar para a luz do sol. Seu pai havia sido claro, seu casamento estava marcado e seria necessário dar um fim a criança.
O parto não foi fácil, a criança nasceu depois de muito custo, Hoso Are estava a desmaiar quando a ama disse, é uma menina, Hoso Are somente disse:
- Amaldiçoada pelos homens com seus lindos olhos, amaldiçoada por mim como foi com minha mãe. Xin.
Desmaiou.
Wushi Gai tirou o bebe das mãos da parteira e seguiu para fora da casa. Puxou sua Wakisashi porem na hora de penetrar o corpo do bebe, o pequeno abriu os olhos e eles se encontraram com dos de Wushi Gai. Quando viu aqueles olhos azuis ele sabia que não conseguiria fazer aquilo, sabia que isso estava errado, o bebe não devia pagar pelos pecados da mãe e da avó, aquele pequeno bebe mudaria tudo, aquele pequeno par de olhos azuis mudaria tudo o que Wushi Gai acreditava e ele sabia disso, num gesto ele guardou a criança em uma bolsa, subiu em seu cavalo e partiu, precisava salvar o bebe e principalmente precisava manter a sua honra.
Correndo o mais que seu cavalo podia agüentar, Wushi Gai cortou as planícies do feudo em menos de algumas horas, sabia onde deveria ir, o único lugar que ninguém encontraria a criança de olhos azuis, o monastério de Wahei Maindo, mestre Anshin Sagashi iria cuidar da garota, iria protegê-la e prepará-la para o mundo, depois mais tarde Wushi Gai iria buscá-la pra tomar o que era seu por direito...
 ...Xin nunca entendeu porque sempre estava com os olhos vendados quando tinham outras pessoas perto, ela sabia que enxergava o monge sempre lhe ensinava as coisas sem que ninguém visse. Ela sabia as cores e as formas.
Quando tinha 10 anos Xin perguntou por que não podia ficar sem a venda como as outras crianças, o monge levou-a até uma tina de água, e pediu que ela olhasse seu reflexo, e neste momento Xin entendeu, ela não era como os outros, o monge explicou que seu pai era de um lugar diferente, mas Xin sabia, ela não era como as outras crianças, ela era um monstro.
Desde então Xin treinou e estudou maneiras de fugir de si mesma, do futuro como o monstro das historias que os monges contavam no monastério.
Quando completou 15 anos o monge pensou que era hora que entendesse que não era um monstro e que existiam pessoas diferentes por todo o mundo, lhe chamou e disse que seu treinamento estava completo, disse que não queria que ela continuasse ali, queria que ela  fosse atrás de seus sonhos, e que em muitos lugares seria bem recepcionada e não precisaria viver daquele jeito, seus olhos seriam apreciados como deveriam ser.
Xin se foi em direção ao centro, onde está no momento. Apesar do treino Xin nunca utilizou-se de lutas, ela nunca revidou um tapa, pois precisa manter o auto controle, para nunca se tornar mau como ela acha que é.

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