Parece que ele está entre a vida e a morte, soa como um porco, parece delirar, mas tenho que mantê-lo vivo, ele veio nos guiar e acabou assim, mas quem imaginava que iriamos encontrar anões aqui. Anões! Meus próprios irmãos de raça me atacando como se fosse lixo, isso é inaceitável, juro que imaginaria que os anões cresceriam, mas não atacariam um barba dourada, ainda mais eu filho do rei, maldito Damian.
Thornn ao lado da cama do desfalecido companheiro de batalha, um rapaz mirrado com aparência frágil mas com um bom coração, pelo menos é o que passa pela cabeça do jovem anão.
Olhar a torre, cuidar de uma cega e vigiar 10 anões amarrados, se eu não fosse preparado para esse tipo de coisa desde que nasci não saberia o que fazer, mas sou um Mineford e sou feito da pedra que surgiu o mundo, não cairei aqui e não deixei Brayan morrer.
Mais uma vez os olhos do anão se voltam para cuidar do garoto, um barulho atrás dele indica que Xin está acordando.
- Xin por favor cuide dele, ele está muito mau.
A garota cega faz um sinal de concordância com a cabeça e se arrasta para perto do jovem desmaiado na cama.
Eu subo até o alto da torre e avisto dois cavaleiros na direção da torre, passaram-se um dia, parece que finalmente mandaram ajuda. Um dos cavaleiros veste uma armadura pesada o outro veste apenas uma camisa, uma dupla estranha, mas em minha situação não posso me dar ao luxo de escolher nem julgar.
- Quem vem lá?
- Somos enviados de Frederic para ver se há algum problema!
- Ok, vou abrir a porta
Desço as escadas ainda meio preocupado com a situação crítica de Brayan, mas pelo menos temos ajuda. Ao abrir a porta me deparo com dois homens muito diferentes um do outro, um deles o mais alto, ruivo com uma camisa aberta e uma enorme espada nas costas, o outro um porte mais nobre, roupas com brasões de uma das casas humanas que eu não me lembro.
- Meu nome é Thornn e preciso da ajuda de vocês, Brayan está morrendo.
Passadas as apresentações, o maior tem um nome complicado Farreley, ou algo assim, o outro se chama Maison, um membro da casa Barristan.
- Precisamos que alguém vá buscar um curandeiro ele pode morrer a qualquer momento!
- Eu vou disse o bárbaro.
Assim o grande homem ruivo sai a cavalo como se tropas inimigas estivessem em seu encalço. Vi a silhueta do grande homem cruzar o horizonte, assim que ele se foi comecei a contar o que havia ocorrido ao guerreiro de Barristan, alguns momentos discutindo sobre os anões. Ele julgava necessário leva-los a justiça do rei, mas como anão que sou penso que eles deveriam ser libertos, não entendo muito de diplomacia, mas sei que eles perderiam a vida caso fossem a uma corte humana, por essa razão gostaria de liberta-los, como um ato de boa fé entre um combate justo.
A noite chega como um espirito das montanhas, me sinto melhor anoite, parece que a escuridão me faz lembrar de casa, de papai e....meus irmãos. Cuspo no chão em pensar no que Damian me fez. Divagando sobre meus pensamentos noto tochas
- MAISONNNNN! Tochas!
O cavaleiro se apresa em olhar, parecem ser cavalos, cavaleiros, mas...não estão vindo da direção da cidade, isso não me cheira bem, os anões! Vou aprisiona-los na cozinha.
Desço rapidamente e escolto os 6 anões para a cozinha, deixando-os com seus próprios pensamentos a meu respeito, assassino...essa palavra passa pela minha mente como um veneno. Subo novamente para a torre e ouço Maison gritar.
- SÃO CAVALEIROS COM TOCHAS AMARADAS EM SEUS CORPOS!
Ao ouvir isso entendo as pretensões inimigas, DISTRAÇÃO. Desço as escadas rapidamente e calço a porta da frente com todas as minhas forças, ela foi quebrada por mim quando invadi a torre. Ouço sons de passos em seguida as batidas, um arriete! Droga eu não vou segurar isso muito tempo!
As batidas cadenciadas na porta quebrada fazem com que eu mentalmente conte quantos minutos até que a porta ceda, eu seguro mais forte com o escudo tentando impedir o inevitável. Mas a porta cede, assim que sou jogado para trás vejo as criaturas, feios com machados e não estão de brincadeira.
Corro para a porta lateral para que eles não possam usar o arriete, fecho e tranco, procuro algo para escorar a porta, mas parece que alguém já pegou a maioria dos moveis para fazer isso. Sons guturais e mais batidas, parecem que eles estão tentando derrubar a outra porta, eles vão entrar e nós não vamos conseguir conte-los, não com nosso estado atual. Penso no jovem Brayan, espero que ele esteja bem.
A porta cederá em breve, preciso de ajuda... os anões!, corro e entro na cozinha trancando a porta.
- Vocês tem 2 escolhas, morrer pelos orcs ou lutar contra eles e viver. A escolha é de vocês.
Eles olham em direção ao líder, que me olha e faz uma careta e em seguida um sinal de aprovação, é nesse mesmo instante que começo a ouvir as batidas na porta da cozinha. Corro e liberto um deles, e calço a porta com o escudo pensando em como sair dessa situação. Foi nesse instante que tudo mudou, os anões me atacaram pelas costas, meus próprios irmãos...acho que preciso rever meus conceitos sobre irmandade.
- Nosso plano nessa torre era abrir caminho para os Orcs. Diz o líder deles enquanto me dominavam e me amaravam.
- Seus malditos como podem se chamar anões se mancomunando com Orcs!!!
Assim que sou amarrado ouço o líder falar no idioma das criaturas alguns minutos depois eles abrem a porta, assim que isso acontece dois orcs enormes e truculentos entram sem muita cerimonia, eles conversam com o líder anão e me veem amarrado. Logo após uma conversa que não entendi uma palavra os anões desarmados resolvem sair.
Nesse instante algo muito rápido acontece, quando os anões passam pelos orcs eles se entreolham e atacam os anões, matando a todos.
Tenho sentimentos confusos quanto a isso, por um lado eles eram mentirosos, mas ainda sim são anões e por essa razão ainda sinto pena, morrer desarmado negociando com monstros, eu morreria em batalha contra eles, só assim minha alma encontraria a paz.
Os orcs olham pra mim, ajoelhado, eu olho para o machado de meu pai no chão e penso em como me desamarrar, quase que lendo meus pensamentos um dos orcs o chuta para o outro lado da sala.
Vejo minha vida passando pelos meus olhos, a infância na montanha, meus pais, meus irmãos... Damian, bem encontro ele no inferno. Olho bem na cara do meu carrasco, pensando em uma forma de sair dessa situação, mas não vejo saída...Por um instante fecho meus olhos e ouço um baque surdo, será o fim?
Abro os olhos os dois orcs no chão...mortos por flechas, bem parece que o destino está a meu favor novamente. Duas figuras esguias entram na sala com arcos, elfos! Eles examinam a sala e se voltam pra mim.
- Onde está outros - um sotaque estranho que nunca tinha ouvido em minha vida.
- Os guardas estão mortos e os outros não sei onde estão.
Ele olha com desaprovação e põe uma fecha no arco, aponta para minha cabeça e fala:
- Onde esta outros!
- Eu não sei, devem estar mortos!
Ele puxa a flecha no arco.
Um barulho e uma voz em uma língua que nunca tinha ouvido, eles param e olham pela porta. Uma negociação, só pode ser isso. Isso demora alguns momentos...até que eles me pegam e me colocam na porta, dizendo para caminhar é isso que eu faço. Vejo o bárbaro, negociou a minha vida sem mesmo me conhecer bem, um anão nunca esquece coisas do tipo.
Eu ando e saio da torre... assim encontro os outros. Xin, Brayan um rapaz com vestes de curandeiro e o guerreiro Maison. Fico feliz em ver que todos estão vivos, mas ainda sim algo me incomoda, meu machado! Levonir! Passado de geração em geração por décadas, jogado como lixo em uma masmorra qualquer.
- Barbaro, por favor preciso do meu machado! Fale com eles!
O bárbaro faz uma careta e anda até a porta,
- O ANÃO QUER O MACHADO DELE
Notei um certo tom de ironia mas ignorei. Espero a resposta mas nada, só o silencio. Então Xin começa a andar em direção a porta, eu meio sem reação só vi quando ela chegou direto na porta. Andou e entrou na torre... alguns momentos depois entramos atrás dela e para a minha felicidade ela estava com meu machado, como ela o achou eu não sei, mas diante da cena, resolvi não fazer nenhum comentário.
Começamos a tirar os corpos, conversar um pouco e decidimos dormir na torre afinal, está escuro e todos estavam cansados demais. Logo pela manhã partimos para a cidade, andamos e deixamos Brayan cavalgar, ele estava muito mau na noite anterior é perigoso fazer muito esforço.
Chegando perto da cidade senti cheiro de fumaça!
- MEUS PAIS! Brayan grita e antes que ele começasse a correr o bárbaro Ferreley o derruba com uma facilidade que me assustou.
Mas mesmo caído o jovem teve uma ação que me surpreendeu até o ultimo pelo da barba.
Ele se transformou em lobo e correu para a cidade.
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