quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Capitulo 4: Revivendo Lendas

Muitas coisas aconteceram e pouco tempo para pensar a respeito, Leona sendo perseguida por Magos, um dragão vermelho atacando Vorax, Kavus surgindo dos mortos. Tudo isso só me leva a crêr que o único que poderia nos dizer o que realmente está acontecendo no mundo é o sagart de alguma das tribos do Oeste. Segundo Leona, a sabedoria deles é algo inquestionável, e para que possamos encontra-los com segurança, precisamos encontrar a espada que um dia foi do pai de Farrelly. Decidimos então sair para procurar na maior cidade mercadora do mundo.
Fomos procurar no castelo primeiramente e falamos com o Senhor Ramza, no que Fella descreveu a espada ele disse que não mais a possuia, havia sido vendida e que não poderia dizer para quem, pois era contra os principios do mercado, mas que poderia ir até ele se nós tivessemos algo para oferecer na troca da espada. Maison mostrou um colar preto e verde que pertencia ao reino dele. Com isso Ramza disse para aguardarmos na estalagem e ele nos encontraria mais tarde. Voltamos para o quarto e discutimos sobre a proposta e as opções. Penso que, se o Fella conseguir a espada e mesmo que não tenha passado pelos testes de liderança impostos a ele,  poderemos ter mais voz e respeito dentro do oeste, afinal de contas possuimos informações sobre coisas que podem acontecer com o oeste.
Enfim, o tempo passou e as discuções continuaram até que batem na porta. Abro a porta e Ramza já comprimenta. Ele diz que o comprador da espada não mais a possuia, tinha perdido. Ramza não sabia para quem, mas que gostaria de comprar o medalhão. Com exitação, negociação e dialogo, Maison apoia a idéia de vender um dos colares por 4 mil peças de ouro e mais a informação de quem está com a espada. Ramza aceitou e partiu. Fechei a porta.
Conversamos mais um pouco e acabamos dormindo mais uma noite na cidade do comércio. Logo ao amanhecer, pouco depois de todos acordarem e comermos alguma coisa, batem na porta. Ao abrir a porta assustei um pouco com a presença de um homem sem camisa e de pele queimada e mais dois homens do mesmo estilo porém maiores carregando uma caixa. Pediu licença e entrou, disse que veio a mando de Ramza para efetuar o pagamento e acompanhar algum de nós para poder entregar a encomenda dele, comentou até que ele pediu a ele isso para que ninguém tentasse nos roubar após a troca. Maison e Thromm abriram a caixa e para saber se estava correto. Maison me entregou o colar preto e verde mostrado para Ramza, e eu e Fella fomos até ele.
Chegando próximo do castelo dourado onde Ramza sempre ficava, vimos que estava gritando ordens e reclamando de uma carroça de toras de madeira deixada próxima a entrada, e ao chegar próximo a carroça, um SUSTO, Ramza foi acertado por uma das TORAS? Sem ao menos poder entender o que aconteceu, as TORAS de madeira começaram a criar vida e tentaculos, alguns até mesmo se empilhavam para ficarem maiores. Após alguns instantes pude observar que Leona havia me contado sobre eles, eram criaturas encantadas por Driades, um tipo de fada. Logo gritei, ataque fogo e de repente uma coluna de chamas ergueu no lugar da carroagem, queimando a carroagem e fazendo alguns daqueles seres de madeiras queimarem. Um deles veio em direção a nós e logo começou uma perigosa batalha, já que via que Fella entrou num estado de fúria e não conseguia se esquivar das porradas de seu inimigo. A cada porrada que Fella tomava, pressentia que ele cairia inconciênte, por isso, utilizei dos poderes da natureza para conseguir mante-lo ativo, até que Fella já muito ferido conseguiu derrubar aquele ser mágico. Quando deu por mim, a cidade estava cheia daqueles seres. Havia batalha por todos os lados, tentei me concentrar e procurar algum foco mágico que não pertencia a nenhum de nossos aliados, o que aconteceu em vão. Nesse momento vi Fella correr em direção contrário a Ramza, passando por mim muito rápido, e ao me virar, vi que ele desferiu um golpe sem sucesso contra outro desses seres verdejantes. Mais ou longe vi Maison entre dois desses seres, rapidamente retirei minha funda e atirei um pedra naquele que lutava contra Fella, apesar da pedra ter acertado, parece que nada aconteceu, foi quando senti um desses seres se preparando para um ataque pelas minhas costas. Fechei os olhos e rezei. Após alguns instantes intrigado por não ter sido acertado ainda, abri os olhos e uma surpresa, estava numa floresta ou talvez num bosque, não dava para dizer, não conhecia aquele lugar, mas reconheci o animal que estava ali, era um cachorro que certa vez salvei na floresta onde Leona me ensinava. Fiquei confuso e lembrei que haviam certos cachorros, inteligentes, que tinham a capacidade de teleporte, imaginei que ele seria um desses tipos. Olhei a redor para ver se não havia mais e o chamei, ao chegar perto, acaricei seu pelo e perguntei ao ar, “Você você quem me tirou de lá, foi?”, foi aí que novamente desapareci e apareci novamente na cidade, no mesmo lugar. Vi Fella, ainda vivo, e Maison, totalmente desidratado. Peguei o cantil que ele segurava e com uma prece lhe entreguei com água o bastante para reabaster os líquidos perdidos. Pelo menos num primeiro momento, iria melhorar. Olhei em volta e Ramza estava falando com um estranho mascarado, ele usava roupas diferentes, possuia várias espadas em suas costas e ao virar, pude reparar que todas elas estava presa a um casco de tartaruga. Fui até Ramza e observei Fella indo atrás do estranho. Falei com Ramza sobre os seres mágicos e o que eles eram, também que poderia haver mais ataques se não fosse encontrado a Driade que os encantou. Ramza disse que não haveria mais problemas, pois aquele já havia sido resolvido, da mesma forma que os demais problemas do mundo também seriam. Disse para mesmo assim, tomar cuidado. Entreguei lhe o colar preto e verde, conforme o combinado e ele me disse que o cara que nós procuravamos estava ali e era conhecido como duelista, apontando para o rapaz mascarado, me virei e fui até eles. Ao caminhar, não pude ver muito bem, mas o duelista é muito rápido e habilidoso, porque ele sacou a espada e fez um corte abaixo do peito do Fella que o fez cair inconsciênte. Sai correndo e rápidamente parei o sangramento do corte, senti sua pulsação, estava vivo. Pedi ajuda ao Maison, que mesmo um pouco debilitado, me ajudou a levar o Fella para os aposentos. Colocamos Fella na cama para poder repousar e Maison a outra muito debilitado pela perda de água. Ninguém conseguiu me explicar como ele perdeu tanta água daquele jeito. Fella acordou, e logo começou a falar que iria atrás daquele homem, tentei acalma-lo, quando Maison surgiu e acertou a cara de Fella com sua mão direita, desmaiando novamente Fella. Discuti com Maison, achando um absurdo a atitude tomada por ele para com um companheiro que arriscou a própria vida para ajuda-lo na batalha e era assim que ele agradecia. Definitivamente, depois são os bárbaros que são conhecidos como selvagens.
Depois dessa estúpida cena, pedi para Maison sentar e ficar quieto, pois ele também precisava descansar. Gastei um tempo cuidandos dos ferimentos de Fella e depois dei uma olhada em Maison. Logo depois também adormeci.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Capítulo 3: Por Baixo da Máscara

Já havia amanhecido quando me dei conta. Gregor não permitiria novos encontros, pois sabia que haveria confusão e provávelmente brigas. Pensei em evitar isso ao máximo também.

Voltando um pouco os pensamentos, começo a me arrepender de não ter jogado na cara dele muitas coisas. Que se dane se estavamos em frente aos outros senhores, o Feudo que foi conquistado com tanto sangue não deve se tornar apenas uma peça no xadrez das outras casas, e um rei não deve virar as costas para seu povo. 2 Vilarejos cairam, sendo que a situação só não foi pior no outro pois OUTRO senhor teve de intervir.

De qualquer maneira, demorou pouco até Lady Kaellara chegar aguardando nossa decisão. Nós recusamos a oferta, da maneira mais delicada possível, afinal, não queriamos que parecesse uma desfeita. Ela aceitou, meio que relutantemente, só pediu para que nós a acompanhacemos até sua fortaleza, uma vez que se não fossemos, ela precisaria tirar as tropas que estavam auxiliando na defesa contra a tribo do Javali. Aceitamos a proposta, e em poucos minutos já estavamos reunidos prontos a partir. Quando estavamos quase partindo, Lyanna veio até mim, se despedir. Disse que sabia que eu estava indo embora, e sabia que demoraria muito para retornar, então me entregou o colar que ela havia recebido a muito tempo.

O Colar dado por ela, era Verde e Preto...mas o design...era idêntico ao do que encontramos no local onde meu pai havia sido morto. Perguntei a ela onde ela havia conseguido, e ela falou que aquele havia sido um presente dado pelo Rei as mulheres das Grandes Casas....o que reduz em muito a minha busca...

 Seguimos viagem ao norte, indo rumo ao Feudo Vorax. Acabamos fazendo uma parada de 2 horas na cidade natal de Gehard. Lá, enquanto o nosso colega visitava o próprio Pai, chamei Farrely e mostrei a ele o colar de minha irmã, e expliquei sobre como o colar havia chego a ela. Após isso, seguimos com Xin para a estalagem, que infelizmente estava parcialmente destruida. Com a permissão de Frederik, que também estava lá, seguimos para uma parte um pouco mais vazia, e ficamos treinando pelas horas faltantes.


Partimos 2 horas depois da cidade, mantendo o revezamento de pessoas em torno da carruagem de Lady Kaellara. Paramos muitas poucas vezes, e por poucos momentos. Não queríamos perder muito tempo, não com Orcs soltos por todos os lados. Por isso, não demorou até começarmos a circular a montanha...e pouco tempo depois dar de cara com a frente da grande fortaleza dos Vorax.

Era uma construção muito diferente. Esculpida na montanha, e seguindo para dentro da mesma. Conforme fomos adentrando, o lugar era relativamente escuro...a cachoeira que ficava logo a frente, mantinha o ambiente resfriado, porém a falta de iluminação que não fosse por tochas, dificultava um pouco a visão.

Acho que a parte um pouco mais...intimidadora, já foi mais para o centro da fortaleza, onde havia esculpido uma gigantesca aranha, bem ao alto. Haviam janelas nos lugares dos olhos...e a iluminação interna dali, fazia parecer que aquela grande criatura estivesse viva. Paramos quase embaixo da criatura, antes de desmontarmos e Lady Kaellara sair de sua carruagem.

Pouco depois dela sair, ela chamou por duas amas, escravas. Algumas palavras foram trocadas...em uma língua que eu sinceramente nunca havia ouvido falar anteriormente. As amas estavam sempre com a cabeça abaixada. Foi quando ela nos falou que aquelas duas seriam nossas criadas, para realizar o que bem quiséssemos. E em seguida se retirou. As duas garotas, eram gêmeas, e mantinham a cabeça baixa a todo momento. Também não se pronunciavam sobre nada, simplesmente pareciam mudas.

Fomos guiadas por elas até o quarto, onde elas permaneceram do lado de dentro a todo momento. Farelly se revoltou, mantendo-se no quarto. Em seguida, elas nos serviram a comida. Aproveitei para me banhar antes, e comer um pouco logo depois. Todos foram comendo, ou dormindo um pouco pela cansativa viagem.

Acho que passaram umas...3~4 horas que eu havia deitado quando alguém bateu a porta. Quando abrimos, era Gilhart que estava do lado de fora. Ela logo entrou, e dispensou as criadas. Queria falar conosco a sós.
Ela disse, que nós havíamos agido até agora com honra, e bondade. E que por isso, e outros motivos ela não podia concordar com o que a mãe dela havia feito, e queria nos tirar de lá. De acordo com ela, Kaellara havia informado os anões de Minoria sobre a presença de Thormm, e eles já estavam vindo buscá-lo.  Antes mesmo de pensarmos em algo mais, uma grande explosão ocorreu na fortaleza. Pegamos nossos equipamentos, e saímos do quarto. Gillhart havia dito, que sabia uma passagem que levaria  com segurança ao rio, e fomos rapidamente seguindo ela.

Enquanto corríamos, conseguimos visualizar o que ocorria dentro do grande pátio interno. Uma criatura gigantesca, que batia com todas as características dos contos que eu ouvia na infância estava ali. Um gigantesco Dragão Vermelho...felizmente, ele não nos viu, enquanto baforava fogo para lá e para cá, e nós seguimos até o local onde o rio passava.

Gillhart nos disse que deveríamos seguir o fluxo do rio, e sairíamos fora da fortaleza. Xin foi a primeira a pular, seguida do resto do grupo. Antes de pular, mostrei o colar que havia conseguido na floresta, e questionei Gillhart. Ela disse que o dela havia sumido a tempos, mas não era aquele.
Perguntei também se ela não iria conosco, e ela disse que deveria ficar. A Mãe dela não deveria suspeitar que ela nos ajudou a fugir. Desejei sorte a ela, e terminei de prender minha armadura em uma corda. Quando me preparei para pular, Gillhart me segurou e me beijou. Ainda meio sem ação, pulei dentro do rio.

Nadamos por dentro dos túneis até sairmos de fato no leito do rio do lado de fora da montanha. Nos dirigimos para a margem mais próxima, mas confesso...aquilo deu muito trabalho. Hora alguém acabava preso... Outra hora alguém quase se afogava... Foi uma situação complicada. Mas quando já estávamos na margem, por cima de nós o dragão passou, e logo em seguida, virou-se contra a montanha, novamente baforando nos soldados Vorax, que se esforçavam em atirar as flechas contra a criatura.

Precisavamos deixar o feudo o mais rápido possível. A rota mais breve que teriamos, seria seguir para o litoral norte, e de lá para o feudo dos Jezdek. Kaellara ao descobrir que fugimos, deveria enviar batedores para todo o próprio território. Nós teriamos entretanto, que seguir pela margem, e atravessar a ponte que passava praticamente a frente da entrada da fortaleza. Seguimos rapidamente pela pequena trilha, e fomos aos poucos subindo pela ponte e a atravessando, quando novamente o dragão surgiu. Ele ergueu-se e cuspiu fogo na entrada do castelo...quando foi atingido por uma espécie de lança de gelo que o atingiu na asa esquerda, claramente após isso, ele ergueu voo, e desapareceu entre as nuvens.

Antes que os soldados nos vissem, avançamos para dentro da floresta que ficava próxima a fortaleza, e seguimos rapidamente. Após alguns metros Gehard, gritou para seguirmos ele rapidamente, e em seguida, uma coruja passou rasante entre os membros do nosso grupo, e junto de Gehard, seguimos a coruja.

Acabamos por chegar a uma clareira onde uma mulher aguardava, sentada nas rochas. Gehard disse que era Leona, sua mestra. Não tivemos muito tempo de nos apresentar...logo depois, duas pessoas surgiram do outro lado da clareira, vestindo os mantos com o emblema da Escola Arcana.

Eles queriam que Leona fosse com eles, e ela se recusava. Foi quando o homem de manto azul lançou uma forte rajada de vento contra nós. Xin, acabou atingida e foi arremessada. Leona se levantou pouco depois, dizendo para nós, que deveriamos partir imediatamente. E em seguida, nos separou dos magos com uma grande muralha de fogo.

Buscamos por Xin, e Thormm que já havia ido atrás dela, para podermos nos retirar. Infelizmente, poucos momentos depois, o vento voltou a soprar, muito forte. Um dos magos logo surgiu voando procurando por nós. Felizmente, o mesmo foi rapidamente atingido por um Raio...e logo em seguida por um segundo. Uma voz veio da nossa lateral, que logo disse que deveriamos seguir ele se quisessemos sair vivos dali. E foi o que fizemos. O homem, logo recitou um encanto...e quando me dei conta, estavamos todos em um quarto em uma estalagem.

Ele se apresentou como Victor, e disse que estávamos no Feudo de Mittël. Tentamos descobrir o porque os Magos levariam Leona, e o que diabos havia acontecido. Contamos a Victor sobre o dragão, pois ele disse que estava indo para Vorax...e ele disse que algo estava acontecendo, pois criaturas lendárias estavam começando a surgir pelo mundo inteiro, inclusive os Kavus no feudo da Casa de mesmo nome.

Conversamos mais um tempo, antes de Victor abrir a porta e partir no meio da multidão. Acabamos por falar com o dono da estalagem, e alugamos o mesmo quarto onde anteriormente estávamos.



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Capitulo 2: A Teia Negra do Destino

Caminhando de volta para feudo de Barrest, ainda machucado, avisto algo não muito bom, subindo na direção que leva a cidade, uma fumaça negra subindo aos céu. Preocupado com o recente ataque de Orcs na torre e a ameaça de investida da tribo do javali, tentei disparar com o cavalo, sem sucesso. A preocupação só aumentava, eu não podia perder outra família, desci do cavalo, e ao tentar uma corrida, Farrely tromba comigo e vou ao chão, irritado com a situação pergunto o porque daquilo, ele e os demais dizem que é necessário termos cuidado ao se aproximar da cidade, pois não sabemos o que aconteceu. Imediatamente retruco dizendo que nada adianta ficar parado ou conversando como devemos chegar na cidade e devemos ir o mais rápido possível, eles insistem, eu digo que não posso perder meus pais, não de novo, ele argumentam, chego a pensar que eles estão preocupados apenas com eles próprios senão já teriam investido contra a cidade para ajudar, então decidi, através dos ensinamentos druidicos de Leona, invoquei os poderes da natureza e me transformei num lobo, imediatamente saí em disparada para a cidade, não sabia quanto tempo duraria aquela forma de lobo, tinha que aproveitar. Pensei em prende-los da mesma forma que na batalha, mas seria muito agressivo e poderia acabar machucando-os.
Ao chegar na cidade, andando como humano pois o aspecto do lobo utilizado não durou tanto tempo, vejo sinais de batalha, corpos de ORCs e também de humanos deitados, sem vida. A cidade estava manchada de vermelho, sinais de tristeza nos olhos das pessoas que limpavam a cidade. Parei um dos guardas e perguntei o que houve. Ele disse que orcs tinham investido contra a cidade durante a noite, e que por sorte um grupo da casa Vorax estavam passando por ali e ajudaram a proteger a cidade. Perguntei sobre o prefeito, e ele disse que estava bem e tendo uma reunião em sua casa. Agradeci e fui direto para casa, avistei uma carroagem em frente a casa e um drow armadurado ao lado da porta, sinais de patas de aranha em sua armadura e uma expressão fechada. Me aproximei, cumprimentei com um gesto de cabeça e entrei. Encontrei meu pai conversando com a responsável pela casa Vorax, Kaellara. Meu pai feliz ao me ver, me abraçou e perguntou se estava tudo bem, disse que estava e que coisas aconteceram na torre. Disse para eu contar o que aconteceu, falei que não gostaria de interromper a reunião que estava tendo, e ambos concordaram que não estava interrompendo que o que eu tinha a dizer também era de grande valia. Nisso minha mãe entra no salão ao lado de outra drow, não saberia dizer quem era mais jovem entre elas, dei um abraço minha mãe e disse que agora estava tudo bem, ajudei com o café e acabei servindo todos, puxei uma cadeira e comecei a contar o que aconteceu, tudo que eu lembrava, a tomada da torre pelos anões, a batalha entre eles, um chamando o outro de assassino, minha tentativa de ajudar e depois do momento em que eu despertei, novamente sinais de batalha, o encontro com Maison e o Farrely, os orcs mortos por flechas e o retorno para a cidade. Quando terminei de contar tudo que aconteceu, a senhora da casa Vorax perguntou do anão, falei que possivelmente ele chegaria na cidade em breve, e pediu para traze-lo até ali, pediu também para a drow de expressão fechada me acompanhar.
Saimos da casa, ela conversou com o drow que estava de guarda numa lingua que não consegui compreender. Andando em direção a entrada da cidade, avistamos o anão e os demais, me antecipei e dei boas vindas a eles, pedindo para me acompanhar até nossa casa, pois a senhora da casa Vorax estava aguardando.
Ao retornar para casa, apresentei cada um deles e a senhora de Vorax pediu para que o Anão contasse sua versão da história. E assim foi feito, contou sua versão até mesmo o que aconteceu quando eu estava desacordado, contando da existência de elfos e que os anões estavam juntos com os Orcs.
A senhora de Vorax achou interessante e disse que essa informação seria muito útil na reunião que teria em breve na fortaleza de Eltz e pediu para eles a acompanharem na reunião. Todos eles afirmaram que iriam, e então a senhora de Vorax se despediu e foi se preparar para partir. Na despedida dos demais da casa de meu pai, perguntei se Farrely gostaria de ficar e conversar um pouco, enquanto os demais disseram que iriam aguardar na taverna. Após a saída de todos, Farrely ficou no quarto de hospedes em nossa casa e eu fiquei conversando com meu pai, ele disse que não confiava na casa Vorax e pediu para que eu ficasse ao lado de Maison ouvindo tudo o que acontecia durante a reunião.  Depois de algum tempo Farrely apareceu e começamos a conversar sobre seu passado, disse que era filho de um homem que se não engano Leona disse ser o lider da tribo do Leão que pereceu em batalha, disse também que buscava uma espada que pertencia a seu pai, possivelmente era a espada que simbolizava liderança. Não sei ao certo se ele sabe a responsabilidade que carrega e se estaria preparado para o que ele possivelmente estaria destinado, achei melhor não dizer nada, mas pelo pouco que pude observar, ele trilha o caminho correto.
Despois dessa conversa, Farrelly e eu saimos para esperar nossa partida rumo a Eltz. A senhora de Vorax disse que deixaria alguns guardas na cidade para caso houvesse mais investidas dos orcs, mas que iria precisar de guardas para a carroagem. Maison, Thorm e Farrely disseram que ajudariam. Eu e Xin fomos dentro da carruagem junto com a senhora e drow de expressões sérias. Um dia e uma noite se passaram, aprendi algumas coisas ouvindo o questionário da senhora de Vorax para a Xin, que pelas respostas curtas não estava se sentindo muito bem. Sem paradas, chegamos a fortaleza de Eltz. Fomos recebidos pelos irmãos de Maison e mais um homem alto e forte, que depois reparei que ele também possuia o mesmo sinal que eu. Eles nos ofereceram acomodações para tomar um banho e breve descanso para depois iniciar reunião. Reunião esta que reuniria os representantes de Torrendal, Vorax e Barristan. Ao chegarmos no quarto oferecido, Farrelly ficou extremamente incomodado com a oferta de ajuda para banhar-se, e tentou inutilizar o sino dado para chamar ajuda de qualquer um delas. Todos estavamos prontos, e não demorou muito, a drow de expressões fechadas, veio a nós e falou que sua senhora gostaria que nós a acompanhasse nessa reunião. A caminho da sala de reunião, foi solicitado a uma das meninas que chamassem Maison em seu quarto. Enquanto os demais foram sendo levados pela Drow, fiquei e esperei por Maison, que não demorou muito para aparecer. Nos comprimentamos e seguimos para reunião. Ao chegar lá, a senhora da casa Vorax nos se aprensentou e disse que havia levado “seus” homens. Após discussões sobre o rumo da guerra contra os bárbaros, ficou decidido que eles houviriam os planos da senhora de Vorax. O representante de Torrendal disse que por enquanto concordaria, mas se sentisse que aquilo ali seria algum tipo de trama, ele mesmo providênciaria o fim da casa Vorax. Terminado a reunião com a aceitação do irmão de Maison, saimos da sala, ficando apenas a senhora de Vorax e os de Barristan, possivelmente ouvindo as exigências do irmão de Maison. Tentei ouvir a conversa de fora da sala, mas sem sucesso. Me despedi de Johaill, a drow de expressões sérias, e fui me encontrar com Maison e os outros. Ao encontra-los, pedi a Maison para me levar a casa de Hogan, o homem tinha a mesma marca que eu e Farrelly. Conversamos um pouco, e pude perceber que como os demais, ele não queria falar sobre, não queria lembrar do que aconteceu e não se interessava mais nada. Triste ver que tudo acabou assim. Pouco antes de terminarmos a conversa Johaill bateu a porta e disse que a sua senhora estava nos esperando no quarto que ficaram. Me despedi de Hogan, querendo acreditar que um dia aquele valoroso homem um dia tivesse sua honra devolvida ou ao menos lutasse para reconquista-la. Maison também se despediu e voltamos para os aposentos.
Lá estava ela, elegante como sempre, séria como nunca. Nos disse que Gregor, irmão de Maison, aceitou a prosposta feita mas pediu que levasse Maison para longe de Eltz, por achar que a vida dele corria risco caso Maison ficasse em Eltz. Ela também explicou o motivo de nos ter chamado de “seus homens”, nos elogiou e nos convidou a visitar sua casa e fazer parte dela. Disse inclusíve que é dificil de encontrar pessoas valorosas hoje em dia e que o conhecimento de cada um ali seria muito útil para atualizar sua biblioteca. Por mais que ela pareça confiável, não esqueço das palavras de meu pai, dizendo que não confiava nela. Pedi licença a todos e disse a ela obrigado pela oportunidade mas que precisavamos pensar sobre sua oferta, que naquele dia muita coisa havia acontecido para darmos um resposta imediata. Ela concordou e disse que aguardaria até cedo, quando todos nós deveriamos partir. Ela saiu do quarto nos deixando a sós e uma só pergunta no ar: Aceitamos a oferta, SIM ou NÃO? Não sei dizer, sinto apenas que tenho que ajudar Farrelly a encontrar o que busca, até lá, muita coisa irá acontecer.

Capitulo 1: Não morra Brayan!

Parece que ele está entre a vida e a morte, soa como um porco, parece delirar, mas tenho que mantê-lo vivo, ele veio nos guiar e acabou assim, mas quem imaginava que iriamos encontrar anões aqui. Anões! Meus próprios irmãos de raça me atacando como se fosse lixo, isso é inaceitável, juro que imaginaria que os anões cresceriam, mas não atacariam um barba dourada, ainda mais eu filho do rei, maldito Damian.
Thornn ao lado da cama do desfalecido companheiro de batalha, um rapaz mirrado com aparência frágil mas com um bom coração, pelo menos é o que passa pela cabeça do jovem anão.
Olhar a torre, cuidar de uma cega e vigiar 10 anões amarrados, se eu não fosse preparado para esse tipo de coisa desde que nasci não saberia o que fazer, mas sou um Mineford e sou feito da pedra que surgiu o mundo, não cairei aqui e não deixei Brayan morrer.
Mais uma vez os olhos do anão se voltam para cuidar do garoto, um barulho atrás dele indica que Xin está acordando.
- Xin por favor cuide dele, ele está muito mau.
A garota cega faz um sinal de concordância com a cabeça e se arrasta para perto do jovem desmaiado na cama.
Eu subo até o alto da torre e avisto dois cavaleiros na direção da torre, passaram-se um dia, parece que finalmente mandaram ajuda. Um dos cavaleiros veste uma armadura pesada o outro veste apenas uma camisa, uma dupla estranha, mas em minha situação não posso me dar ao luxo de escolher nem julgar.
- Quem vem lá?
- Somos enviados de Frederic para ver se há algum problema!
- Ok, vou abrir a porta
Desço as escadas ainda meio preocupado com a situação crítica de Brayan, mas pelo menos temos ajuda. Ao abrir a porta me deparo com dois homens muito diferentes um do outro, um deles o mais alto, ruivo com uma camisa aberta e uma enorme espada nas costas, o outro um porte mais nobre, roupas com brasões de uma das casas humanas que eu não me lembro.
- Meu nome é Thornn e preciso da ajuda de vocês, Brayan está morrendo.
Passadas as apresentações, o maior tem um nome complicado Farreley, ou algo assim,  o outro se chama Maison, um membro da casa Barristan.
- Precisamos que alguém vá buscar um curandeiro ele pode morrer a qualquer momento!
- Eu vou disse o bárbaro.
Assim o grande homem ruivo sai a cavalo como se tropas inimigas estivessem em seu encalço. Vi a silhueta do grande homem cruzar o horizonte, assim que ele se foi comecei a contar o que havia ocorrido ao guerreiro de Barristan, alguns momentos discutindo sobre os anões. Ele julgava necessário leva-los a justiça do rei, mas como anão que sou penso que eles deveriam ser libertos, não entendo muito de diplomacia, mas sei que eles perderiam a vida caso fossem a uma corte humana, por essa razão gostaria de liberta-los, como um ato de boa fé entre um combate justo.
A noite chega como um espirito das montanhas, me sinto melhor anoite, parece que a escuridão me faz lembrar de casa, de papai e....meus irmãos. Cuspo no chão em pensar no que Damian me fez. Divagando sobre meus pensamentos noto tochas
- MAISONNNNN! Tochas!
O cavaleiro se apresa em olhar, parecem ser cavalos, cavaleiros, mas...não estão vindo da direção da cidade, isso não me cheira bem, os anões! Vou aprisiona-los na cozinha.
Desço rapidamente e escolto os 6 anões para a cozinha, deixando-os com seus próprios pensamentos a meu respeito, assassino...essa palavra passa pela minha mente como um veneno.  Subo novamente para a torre e ouço Maison gritar.
- SÃO CAVALEIROS COM TOCHAS AMARADAS EM SEUS CORPOS!
Ao ouvir isso entendo as pretensões inimigas, DISTRAÇÃO. Desço as escadas rapidamente e calço a porta da frente com todas as minhas forças, ela foi quebrada por mim quando invadi a torre. Ouço sons de passos em seguida as batidas, um arriete! Droga eu não vou segurar isso muito tempo!
As batidas cadenciadas na porta quebrada fazem com que eu mentalmente conte quantos minutos até que a porta ceda, eu seguro mais forte com o escudo tentando impedir o inevitável. Mas a porta cede, assim que sou jogado para trás vejo as criaturas, feios com machados e não estão de brincadeira.
Corro para a porta lateral para que eles não possam usar o arriete, fecho e tranco, procuro algo para escorar a porta, mas parece que alguém já pegou a maioria dos moveis para fazer isso. Sons guturais e mais batidas, parecem que eles estão tentando derrubar a outra porta, eles vão entrar e nós não vamos conseguir conte-los, não com nosso estado atual. Penso no jovem Brayan, espero que ele esteja bem.
A porta cederá em breve, preciso de ajuda... os anões!, corro e entro na cozinha trancando a porta.
- Vocês tem 2 escolhas, morrer pelos orcs ou lutar contra eles e viver. A escolha é de vocês.
Eles olham em direção ao líder, que me olha e faz uma careta e em seguida um sinal de aprovação, é nesse mesmo instante que começo a ouvir as batidas na porta da cozinha. Corro e liberto um deles, e calço a porta com o escudo pensando em como sair dessa situação. Foi nesse instante que tudo mudou, os anões me atacaram pelas costas, meus próprios irmãos...acho que preciso rever meus conceitos sobre irmandade.
- Nosso plano nessa torre era abrir caminho para os Orcs. Diz o líder deles enquanto me dominavam e me amaravam.
- Seus malditos como podem se chamar anões se mancomunando com Orcs!!!
Assim que sou amarrado ouço o líder falar no idioma das criaturas alguns minutos depois eles abrem a porta, assim que isso acontece dois orcs enormes e truculentos entram sem muita cerimonia, eles conversam com o líder anão e me veem amarrado. Logo após uma conversa que não entendi uma palavra os anões desarmados resolvem sair.
Nesse instante algo muito rápido acontece, quando os anões passam pelos orcs eles se entreolham e atacam os anões, matando a todos.
Tenho sentimentos confusos quanto a isso, por um lado eles eram mentirosos, mas ainda sim são anões e por essa razão ainda sinto pena, morrer desarmado negociando com monstros, eu morreria em batalha contra eles, só assim minha alma encontraria a paz.
Os orcs olham pra mim, ajoelhado, eu olho para o machado de meu pai no chão e penso em como me desamarrar, quase que lendo meus pensamentos um dos orcs o chuta para o outro lado da sala.
Vejo minha vida passando pelos meus olhos, a infância na montanha, meus pais, meus irmãos... Damian, bem encontro ele no inferno. Olho bem na cara do meu carrasco, pensando em uma forma de sair dessa situação, mas não vejo saída...Por um instante fecho meus olhos  e ouço um baque surdo, será o fim?
Abro os olhos os dois orcs no chão...mortos por flechas, bem parece que o destino está a meu favor novamente. Duas figuras esguias entram na sala com arcos, elfos! Eles examinam a sala e se voltam pra mim.
- Onde está outros - um sotaque estranho que nunca tinha ouvido em minha vida.
- Os guardas estão mortos e os outros não sei onde estão.
Ele olha com desaprovação e põe uma fecha no arco, aponta para minha cabeça e fala:
- Onde esta outros!
- Eu não sei, devem estar mortos!
Ele puxa a flecha no arco.
Um barulho e uma voz em uma língua que nunca tinha ouvido, eles param e olham pela porta. Uma negociação, só pode ser isso. Isso demora alguns momentos...até que eles me pegam e me colocam na porta, dizendo para caminhar é isso que eu faço. Vejo o bárbaro, negociou a minha vida sem mesmo me conhecer bem, um anão nunca esquece coisas do tipo.
Eu ando e saio da torre... assim encontro os outros. Xin, Brayan um rapaz com vestes de curandeiro e o guerreiro Maison. Fico feliz em ver que todos estão vivos, mas ainda sim algo me incomoda, meu machado! Levonir! Passado de geração em geração por décadas, jogado como lixo em uma masmorra qualquer.
- Barbaro, por favor preciso do meu machado! Fale com eles!
O bárbaro faz uma careta e anda até a porta,
- O ANÃO QUER O MACHADO DELE
Notei um certo tom de ironia mas ignorei. Espero a resposta mas nada, só o silencio. Então Xin começa a andar em direção a porta, eu meio sem reação só vi quando ela chegou direto na porta. Andou e entrou na torre... alguns momentos depois entramos atrás dela e para a minha felicidade ela estava com meu machado, como ela o achou eu não sei, mas diante da cena, resolvi não fazer nenhum comentário.
 Começamos a tirar os corpos, conversar um pouco e decidimos dormir na torre afinal, está escuro e todos estavam cansados demais. Logo pela manhã partimos para a cidade, andamos e deixamos Brayan cavalgar, ele estava muito mau na noite anterior é perigoso fazer muito esforço.
Chegando perto da cidade senti cheiro de fumaça!
- MEUS PAIS! Brayan grita e antes que ele começasse a correr o bárbaro Ferreley o derruba com uma facilidade que me assustou.
Mas mesmo caído o jovem teve uma ação que me surpreendeu até o ultimo pelo da barba.
Ele se transformou em lobo e correu para a cidade.
Esfrego os olhos e olho meus companheiros... parece que se pode viver uma vida élfica e ainda ser surpreendido.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Prólogo II: Os Olhos Cegos da Águia


Engraçado como a vida nos dá o que queremos, mas não da forma como pedimos... Eu sempre quis ver o mundo, mas o mundo pra mim sempre foi o monastério, quando o mestre Anshin Sagashi disse que eu precisava "ver o mundo" eu chorei, não na sua frente claro, não queria molhar o lenço que protegia meus olhos, ou como eu sempre dizia, protegia o mundo deles. É claro que com o passar dos anos a maior parte dos monges vão abandonando o monastério para disseminar o pouco que aprendemos e também aprender mais sobre as coisas do mundo, mas também há os que preferiam ficar e treinar e preparar os novos "disseminadores".
  Anshin me ensinou tudo e eu sempre soube que não seria útil para o monastério, mas também nunca imaginei que seria útil mundo afora.
Pensei que sair do monastério era um castigo, por querer utilizar meus amaldiçoados olhos como se fossem comuns.
Juntei o pouco que eu tinha e sai do monastério sem ter ao menos a chance de olhar para trás uma ultima vez, não entendia as escolha de  Anshin , mas respeitei e sai em busca de ver o que sempre o que desejei abaixo daquele lenço. Um homem apareceu um dia antes de partir se apresentou e informou que seria meu guardião. Escolhi seguir para o centro, pois sabia que lá haveria pessoas tão diferentes quanto eu e enfim estaria segura.
Wushi Gai como se chamava o guerreiro que me acompanhava me ensinou coisas que eu não conhecia sobre o mundo, viajamos por muito tempo e ele nunca questionou como eu havia perdido a visão e a sua falta de curiosidade me trazia segurança.
Depois de alguns meses chegamos a uma vila, estava muito feliz, pois tínhamos finalmente chegado ao centro e mais algum tempo chegaríamos às grandes cidades.
Subi para o meu quarto alugado na estalagem e fiquei imaginando que faltava pouco para realizar meu sonho e poder ver o mundo, não só meu mundo, mas todo ele. Neste divago pessoal quase não ouvi quando um estrondo e uma gritaria do lado de fora daquela estalagem começou, levantei e me afastei da janela, me aproximei da porta e me coloquei a ouvir. Havia também uma gritaria do lado de dentro da estalagem pessoas subindo e descendo, um estrondo cadente, alguém estava tentando invadir a estalagem, era isso?
Um estrondo mais forte, uma explosão definitivamente um cheiro de fumaça, o pânico começou a tomar minha mente, e antes que me pusesse louca, Wushi Gai irrompeu pela porta e disse que precisaríamos sair dali, e naquele momento pediu que tirasse a venda e que me preparasse.
Então tudo se fez claro, ele sabia sobre os meus olhos, sempre soube, então porque nunca havia comentado? Queria tanto ter tempo para perguntar, mas a os monges aprendem cedo, nos aprendemos sobre obter aquilo que nos e dado, e não tomar nada que não foi destinado a nos, ele sempre respeitou minhas escolhas eu também respeitaria a dele.
Tirei a venda e pela primeira vez observei o quarto, era simples como eu havia imaginado, mas as cores, as cores sempre me deixaram perplexas, as camas de pedras, as paredes de madeira, marrom e cinza, duas coisas rústicas que dispostas daquela maneira pareciam acolhedores, mas enfim, não era tempo para isso, me dirigi até janela e percebi com cuidado como chegar ao telhado.
Pulamos ao telhado e observamos tudo de lá, vimos vários monstros do qual o somente havia visto em desenhos do monastério, aqueles chamados de orcs. Havia um maior no fundo, que falava em uma língua estranha, apontando coisas como se ditasse ordens, havia muitas pessoas gritando e morrendo e o vermelho de sangue em todos os lugares, havia um guerreiro que lutava contra os orcs de maneira formidável, um guerreiro todo de negro, que fazia jorrar o máximo possível daquele sangue negro de orcs.
Estava observando quando ouvi assovios no ar, e percebi em desespero que alguns orcs usavam flechas, comecei a procurar um lugar para descer ao mesmo tempo em que Wushi falou:
Vamos pular naquele feno, ao cairmos você começa a correr em direção aquele floresta ao fundo e não pare até estar a salvo.
Eu simplesmente assenti um pouco entorpecida em descobrir que havia uma floresta, definitivamente meus olhos eram lentos demais para notar as coisas devido à inexperiência de ver as formas e cores das coisas.
Pulamos no feno e de coração partido deixei para trás, meu nobre amigo, briguei comigo mesmo por olhar não para trás, mas a vida é feita de lembranças e já tinha perdido uma grande lembrança quando não pude olhar com meus olhos tristes pela ultima vez o monastério, portanto desta vez eu veria meu grande amigo e guardaria esta lembrança dele, eu sabia que não voltaria mais a vê-lo.
Olhando para trás não vi Wushi, mas sim um anão que também corria em direção à floresta, eu não tive tempo para pensar, mas algo nele chamou a atenção de meus olhos, sua barba, sua barba era amarela, amarela não, ela era dourada.
Olhei por cima do anão, guardei na memória Wushi lutando, essa seria a minha lembrança, entrei na floresta e corri ignorando toda a resistência da minha mente que gritava para que eu voltasse e ajuda-se Wushi, eu nunca vou entender porque fiz aquilo, abandoná-lo e seguir em frente.
Cheguei a uma distancia segura, sabia que o anão estava vindo na minha direção, era impossível não ouvir aqueles passos, parecia que suas pernas eram de pedra.
Olhei para minha mão e vi o lenço, e pela primeira vez quis realmente colocá-los e não tira-los nunca mais, aquele definitivamente não era o mundo que eu queria ver, mas agora eu podia andar sem as vendas, pois o centro oferecia segurança  e então mais uma coisa alem da esperança de um bom mundo estava caindo, a esperança de liberdade, isso tudo que eu criei para mim era uma mentira, o mundo não era bom de ver e eu não estaria segura nunca em nenhum lugar.
 Parei e coloquei a venda.
Virei e aguardei aqueles passos de pedra chegar até mim. Junto com eles escutei mais três passos, fortes e descompassados, correndo em nossa direção, eram fortes mais não precisos.
O anão parou e se posicionou na minha frente, comecei a ouvir o barulho de metal contra metal e me posicionei esperando um ataque, e ele logo veio, mas antes que fosse atingida consegui ouvir o som do ar sendo cortado, desviei lentamente para o lado e consegui me esquivar.
Já preparada tentei imaginar aonde ficaria o baço, mas eles eram muito maiores do que eu havia reparado, e apesar de acertar aonde eu queria a força era fraca para causar qualquer dano suficientemente valido.
Antes que pudesse me preparar para um novo golpe, novamente senti os passos de pedra na minha frente e um novo metal contra metal e por fim somente a respiração pesada do anão.

Após algum tempo ouvi pela primeira vez a voz de Thormm, era baixa e grave.
A vantagem de ser cega é que apenas o som de uma voz, a forma de um caminhar, posso dizer em quem confiar, claro que às vezes erro, mas não desta vez, Thormm é firme como seus passos, transparente como seus movimentos e serio como sua voz.
Ele me perguntou se eu estava bem, e eu respondi que sim, conversamos sobre andar até a próxima cidade e ele começou a me guiar por dentro da floresta, quando chegamos a uma clareira havia uma mulher com uma voz exótica e vibrante, como se conseguíssemos ouvi-la por qualquer parte da floresta, e também havia um som de uma ave, era um pio de uma coruja.
Ela nos orientou caminhar até a próxima cidade e procurar por Brayan ou Gehard, então continuamos até chegar à próxima cidade, paramos numa estalagem, contamos ao prefeito o ocorrido e descobrimos que Brayan era filho dele, mas que estava em missão e quando voltasse iria nos procurar, voltamos para a estalagem, e aguardamos. Durante a tarde fomos avisados de que um samurai havia chegado, corri, pois sabia que era Wushi , mas quando cheguei lá ele já estava em seu leito de morte. Segurei sua mão e agradeci a qualquer Deus que existe, por ter olhado para trás naquele vilarejo e por ter guardado o rosto de Wushi lutando e não morrendo como agora ele estava. Ele disse que precisava limpar sua honra, mas eu não entendia o que ele dizia, algumas lágrimas brotaram no meu rosto e eu mais uma vez, agradeci por ser cega, parece que eu sempre trago desgraça e destruição, afinal era isso que eu queria ver? Orcs e a morte do meu grande amigo?
Ele disse que meu avô era o senhor da Familia de Washi Kowai Azuma e que eu deveria voltar para o oriente para limpar sua honra que em um momento de loucura ele havia perdido e pedido para Wushi me matar quando eu era só um bebê. Naquele momento eu poderia sentir raiva, ódio, tristeza ou felicidade por descobrir que eu tinha uma família.
Mas aquele momento não era sobre mim, era sobre Wushi e ele havia acabado de morrer enquanto eu divagava sobre o que eu deveria sentir sobre uma familia, senti frio que percorre o ar quando as pessoas morrem ,tateei até encontrar seus olhos e os fechei, pensei sobre tudo o que havia me dito e decidi que aquilo não faria diferença, meu avó não existe, sou uma maldição, uma desonra, e maldições não tem famílias e isso é tudo. Thormm perguntou sobre Wushi, e quais eram os rituais de morte do oriente, apenas respondi que ele havia terminado sua missão e queimamos o corpo.
Já de noite apareceu Brayan, ele tinha uma voz engraçada e parecia um tanto perdido no seu caminhar, como se não soube o porquê estava ali, então explicamos que a mulher na floresta disse que era para procurarmos ele.
Ele ofereceu ao Thormm um trabalho de ir até a torre leste da cidade e averiguar se estava tudo bem, pois depois que tínhamos contado sobre a invasão dos orcs todos estavam com medo. Thormm aceitou e eu mais do que depressa aceitei também, mas começou um debate, porque claro, eu sou cega e como sempre sou somente mais trabalho para todo mundo cuidar, mas mesmo assim eu não abriria mão de segui-lo, eu perdi Wushi porque fui covarde e o abandonei, isso não aconteceria com o Thormm, então por fim decidimos que Brayan também iria, para cuidar de mim.
No dia seguinte acordei cedo e pude ouvir o ronco que parecia que iria perfurar meus tímpanos, puxei a venda um mais mínimo para conseguir olhar por ela novamente o anão a quem eu seguia, eu sabia que não devia, mas a curiosidade era maior e achei engraçado ele durmir de armadura com o machado tão próximo que poderia ser seu travesseiro,  parecia que ele estava pronto para a batalha. O que quer que Thorm tivesse passado em sua vida não era bom. Saí do quarto, me direcionei até o jardim e comecei minha meditação e meu treinamento diário.
Concentrei-me profundamente a tudo em minha volta e depois de algum tempo comecei ouvir aqueles passos confusos novamente, então a indecisão de Gehard não era porque não sabia o motivo de estarmos a sua procura.
Bom, comecei a pensar que talvez todos tenham segredos nesse lugar.
Ele me cumprimentou aguardamos Thormm acordar, tomamos café e seguimos em direção a torre leste.
Caminhei novamente com a ajuda de Thormm até próximo da torre leste, chegamos na porta e ouvi Gehard começar a circular a torre, comecei a ouvir alguns cochichos atrás da porta, mas não importava o quanto batíamos ou chamávamos ninguém abria.
Comecei a ficar curiosa, pois se haviam pessoas lá dentro, porque não respondia?
Thormm também ficou impaciente e arrebentou a porta com uma pezada. Então de dentro do lugar do lugar ouvi três conjuntos de passos, parecidos com o de Thormm mas não tão firme.
Eles começaram a gritar que Thormm era um assassino e por mais que Thormm dizia de queria conversar o metal começou novamente a bater com metal, disposta cumprir minha promessa e não abandoná-lo ataquei o outro oponente, Thormm gritou que aquela luta era só dele e se posicionou de uma maneira categórica na minha frente, teria me acertado se eu não tivesse desviado, não porque ele quisesse me acertar, mas porque perdeu o equilíbrio e caiu, eu sabia o que era respeitar a luta de alguém, mas também não poderia deixar ele ser acertado caído, entrei na frente dele e gritei:
- Ele está caído, espere ele levantar para que vocês tenham uma luta justa
Não houve trégua, um novo grito de assassino e um novo ataque, me preparei, senti o sentindo do machado esquivei lentamente,  foi tempo suficiente para que Thormm levantasse e tomasse a batalha para si, depois de muito barulho de machado, ouvi novos passos e entraram novos “passos-de-pedra” na batalha.
Depois de alguns segundos, que pareceram horas, eu estava desesperada por tirar a venda e ver o que estava acontecendo ouvi Thormm cair, ouvi um silencio, abaixei e coloquei os dedos no pulso de Thormm. Vivo, ele estava vivo, ouvi Gehard dizendo:
-Vamos correr outros estão vindos.
Não iria deixar Thormm para trás. Posicionei-me na frente do corpo dele e aguardei, ouvi três pares de passos, eles pararam uma voz comentou algo com outra, eu estava tão concentrada que não ouvi o que disseram. Mas um par de passos voltou, então imaginei que mais iriam vir.
O homem pediu que eu saísse da frente dele e começou um debate
- Ele está desmaiado não deixarei vocês acertarem. Eu disse
- Ele é um assassino. O homem respondeu
- Se vocês querem puni-lo porque ele é um assassino, não podem  matá-lo desacordado vocês se tornariam assassinos também, e depois fariam o que? Iriam se matar? Eu gritei
- Ele matou o irmão e tentou matar o outro, nós chegamos antes. O anão respondeu
- Como sabe que ele tentou matar o irmão alguém viu? Eu gritava desesperada, eu sabia que nunca convenceria aquele homem, mas eu precisava me convencer que ele não era não podia ser um assassino.
- O irmão dele contou.
Bom então era isso, o irmão dele era um assassino, eu me forçaria a acreditar nisso. Por isso eu disse:
- Então quem garante que não foi o irmão dele?
- Porque foi ele fugiu com o machado que era do seu irmão.
Então eu me posicionei mais firmemente na frente de Thormm e apenas informei que eles teriam que passar por mim para chegar nele.
Neste momento ouvi algumas palavras que mudaram tudo:
- A ordem é para não deixarmos ninguém vivo.
Passos correndo na minha direção, machados zumbindo, desviei lentamente tentei atacar e de repente senti alguma coisa se enroscando no meu pé e subindo cada vezes mais, respirei para não me desesperar, agucei meus sentidos e percebi que o anão da minha frente também estava preso, todo esse poder vinha da direção de Gehard, lembrando da mulher na floresta, tive certeza que aquilo vinha dele, tentei me soltar, ouvia Gehard atirando alguma coisa nos anões, depois de alguns momentos que pareceram anos, aquilo começou a ceder e a batalha entre eu e o anão foi retomada, se aquilo pode ser chamado de batalha, no primeiro corte que levei no peito tive certeza que morreria, tive tempo apenas de sentir os passos leves de Gerard caminhar até Thormm atrás de mim, senti novamente aquele sensação, ouvi Thormm se levantando, foi quando recebi um novo golpe na perna e percebi que perderia a consciência, sabia que morreria feliz, não abandonei meu amigo para morrer.
Não sei quanto tempo fiquei desacordada, mas quando abri os olhos tive certeza que não tinha morrido, a dor e a exaustão estavam em cada centímetro do meu corpo, ouvi um par de passos de pedra, fiquei assustada, tentei falar alguma coisa e deve ter saído como gemido. Thormm disse:
- Achei que estivesse morrido.
- Eu também. Respondi
Ele pediu que ficasse com Gehard me disse que ele estava em situação complicada. Caminhamos, ou melhor, Thormm caminhou carregando Gehard e eu me arrastei para um quarto dentro da torre.
Thormm estava saído, pude ver como seus passos tinham mudado, ele não estava mais tão sereno, aquilo não era sobre a batalha era sobre sua família. E foi naquele momento que tivesse certeza que tinha feito certo em não deixar o anão atacá-lo desacordado. Famílias que confundem orgulho com honra. Então queria que ele soubesse disso, mas estava tão exausta, tão cansada, então só disse:
- Thormm, você ouviu muita coisa sobre mim, e eu ouvi muita coisa sobre você daquele anão, então só quero que saiba que está tudo bem, para mim não mudou nada.
- Obrigada. Thormm disse
Segurei a mão de Gehard e rezei para que aquela mulher da floresta pudesse salva-lo como fez comigo e Thormm.
Gehard era diferente, não se envolvia, mas por ser cega eu sei que nem sempre as pessoas dizem ou demonstram o que realmente sentem, ele tentou me salvar de todas as maneiras, ele ajudou Thormm e no final das contas era ele quem estava ali desacordado e a beira da morte. Por mais que ele fingisse não se envolver ele já estava envolvido, estar ali deitado mostrava que ele também já sabia disso.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Feudo de Barristan, Reino de Barest

Território de Barrestan




Sir Gerold Barristan
A casa Barristan é responsável pela maior parte da fronteira oeste, Seu líder atual é Sir Gerold Barristan, O Touro Branco, um líder forte e grande combatente, estrategista de guerra e conselheiro do rei. A historia de sua casa se confunde com a do próprio reino, devido a séculos atrás haver um parentesco entre os Barristan e a família real. 


O feudo possui 4 grandes cidades e a capital do feudo, a própria cidade de Barristan é uma das maiores de todo o reino. Tendo o feudo quase inteiro em território de planalto e com muitas áreas banhadas pelos rios da Montanha, das Furias e dos Tombos, é uma área de grandes quedas d'agua e violentas corredeiras. A parte da planície sul tem começo na área do deserto e é muito seca, mesmo com as quedas d'agua. 

Fortaleza de Eltz
Devido a cidade capital estar localizada ao sul é comum suas construções serem feitas de pedra e barro, por causa da região mais seca, existem lá uma temperatura muito variável, de grande calor durante o dia e frio cortante durante a noite. O grande marco da arquiteruta nessa região é a Fortaleza de Eltz, um grande castelo em um morro da região só acessivel por uma ponte e ligada a outro morro onde existe uma gigantesca fortaleza. a cidade em si, fica na base desses dois morros.

O feudo possui boa relação com os outros feudos da fronteira, tanto o de Vorax, ao norte, quanto ao de Torrendal, ao sul. Sua relação com os povos barbaros é instavel e no passado foi responsável pela tomada de terra do território do clã bárbaro Sealgairí Onóra (Caçadores Honrados), um clã devotado ao totem do leão, símbolo de honra e liderança. Com o fim da guerra com os barbaros mudaram sua postura pra uma mais pacifica em relação os moradores das terras selvagens.

O símbolo da casa é o touro branco, um animal forte e solitário, cujas lendas dizem que pastou por toda a região do Planalto dos Tombos e que dos seus chifres surgiram os Picos das Nuvens, montanhas q fazem parte da cordilheira de Ferro Puro, ao norte do continente.


Escudo Barristiano

Prólogo: Engrenagens da Guerra

Parecia tudo como outro dia em Eltz. Os treinos, os soldados patrulhando as muralhas...faltava apenas a presença de meu Pai, Gerrold Barristan, que não havia retornado do encontro com o Laoch da Tribo do Centauro. Tudo isso, com o objetivo de resolver a discussão e Stress que vinham surgindo graças a acusações de assassinato por parte de nossos guardas, contra a tribo. Faziam 2 dias que eles já estavam atrasados.

Entretanto, ao contrário do que pensavamos...quando os guardas começaram a se agitar, ao ter observado uma pequena comitiva vindo em direção a fortaleza, e trazendo um Estandarte danificado de nossa família...o dia simplesmente deixou de ser calmo ou comum. Dos 12 que haviam ido, sendo Meu pai, meu irmão Gregor e 10 soldados, apenas 4 retornavam, dos quais...2 estavam aparentemente inconscientes. Quando os cavalos entraram na fortaleza, uma multidão se aglomerou rapidamente. Dois soldados, meu irmão e meu pai, sendo meu pai e um soldado os que estavam inconscientes. Gregor parecia levemente machucado, mas nada que de fato fosse grave. Os curandeiros logo chegaram, retirando meu pai e o soldado as pressas e os levando. Pude ver de relance minha mãe, e meus irmãos indo com eles, enquanto Gregor corria na direção oposta.

Fui para junto dele, tentando descobrir o que diabos havia acontecido, mas meu irmão apenas disse que foram atacados pelos malditos bárbaros, e que agora ele tomaria as providências que meu pai deveria ter tomado. Guerra, era isso que ele queria. Corri até a enfermaria para checar o estado de meu pai, mas para minha tristeza, os curandeiros não me permitiam. Diziam que o estado dele era crítico...então, fiz o que eu acreditei ser o certo....tentar entender o que ou quem havia feito isso. O soldado desperto, me disse que os bárbaros os haviam atacado. Orcs, centauros, elfos....todos mergulhando sobre eles como abelhas. Assim que o ataque começou, os guardas fizeram o que podiam para tirar meu pai dali.

Apesar dos relatos...eu não conseguia simplesmente acreditar que os bárbaros haviam traído sua Honra, e o Tratado de Paz que existia a um certo tempo entre nossa família, o reino e eles. Saíndo dali, fui encontrar aquele que havia me ensinado tudo que eu sabia até o momento sobre os Bárbaros, o Guerreiro Keiran. Conversando com ele, consegui poucas informações....muita coisa havia mudado desde a extinção do Clã do Leão na fronteira. Mesmo como guia, para ele seria difícil, uma vez que meu irmão poderia suspeitar da ausência dele na Fortaleza, e por isso mesmo acabei questionando para que ele me disesse se ele conheceria alguma outra pessoa que poderia me guiar...mas até aquela hora, nada. Me retirei dali. Eu TINHA que ir até o local do encontro para ver com meus próprios olhos, achar alguma prova...qualquer coisa. Ficar sentado em Eltz, seria contra meu estilo.

Várias horas acabaram se passando, e eu preparando meus equipamentos. Keiran veio então me informar, que havia achado alguem que poderia me ajudar. O "guia" estava no "Chifre do Touro", uma das maiores Tabernas da cidade. Adicional a isso, ele me ofereceu um tecido...dizendo que o guia me ensinaria a usa-lo. Peguei o mesmo, e rapidamente me dirigi até a cidade.

Ao chegar na Taverna, pedi para avisarem o "guia" da minha chegada, e fui encontra-lo nos próprios aposentos. Chamava-se Farrelly, um dos outros sobreviventes da Tribo do Leão. Conversamos por alguns momentos sobre o motivo para eu precisar de ajuda, e ele também me contou que procurava por uma mulher que mancava, a mesma que havia libertado ele de sua escravidão para com a Casa dos Kavuks. Concordamos em uma ajuda mútua, ele me ajudaria a ir até o local, e eu ajudaria-o posteriormente a encontrar a tal mulher. Nos encontrariamos na manhã do dia seguinte, na frente da Taberna.

No dia seguinte, saí rapidamente de Eltz, e fui em direção ao Chifre do Touro. Pegamos alguns suprimentos com o Dono, e partimos em direção as terras bárbaras. Quando já estavamos afastados do local, Farrely disse que eu precisava me disfarçar. Para começo de história, deveriamos sujar um pouco e amassar a armadura, que foi o que fizemos com a terra, e algumas pancadas com espadas. Posterior a isso, ele também disse que eu deveria vestir o "Kilt" que Keiran havia me dado, e o fiz.

Novamente, continuamos com nossa viagem. Se eu me recordo bem...caminhamos cerca de 2 dias até adentrarmos na floresta. Não foi uma viagem fácil, mas não estavamos também nem na metade do caminho. Continuamos caminhando até encontrar uma grande encosta, seguindo-a por alguns minutos, acabamos encontrando uma queda d'agua, de onde o rio ao fundo do "Canyon" derivava. Farrely, logo encontrou uma pegada no chão, puxando a espada e pedindo silêncio. Poucos instantes depois, duas criaturas saltaram do meio do mato, velociraptores. Nos atacaram rapida e brutalmente. Em poucos momentos, Farrely ganhou uma grande ferida na coxa, e estava caido no chão desacordado.

Mesmo golpeando a criatura que estava comigo, mantendo as feridas causadas por ela, não havia como eu vencer ambas. Porém, quando tudo parecia perdido...foi quando uma gigantesca coluna de fogo surgiu, incinerando quase de imediato ambas as criaturas. Antes que eu pudesse TENTAR explicar algo, uma coruja pousou sobre o peito de Farrely, e em poucos momentos as feridas que ele tinha se fecharam.

Eu sinceramente acho, que devo ter tomado uma forte pancada....Ou eu realmente vi uma Coruja conjurar uma Parede de Fogo, e curar um colega....

Antes que Farrely despertasse, a mesma saiu voando. Quando tentei explicar para ele o que havia acontecido, ou ele me achou louco...ou acreditou que eu sou um Bruxo, no momento, acho que a primeira alternativa é a mais válida.

De qualquer maneira...após esse bizarro acontecimento, pelo menos, conseguimos 3 coisas.

- Carne de Dinossauro para comer.
- Manchas de Sangue na minha armadura
- Um colar de Garras de Dinossauro (Sim...eu não poderia deixar essa passar. Um dia ainda vou dar ele para minha pequena irmã, por hora irá virar parte do disfarce, e uma lembrança das terras Bárbaras).

De qualquer maneira, apesar das afirmações que "Corujas não Lançam Magias!", seguimos viagem floresta a dentro. Em determinado momento, entretanto, avistamos Orcs, vestindo armaduras e seguindo viagem em direção oposta a qual nós iamos. Só a presença deles já demarcava que algo estava de fato errado ali. Farrely dizia que pareciam pertencer a tribo do Javali, mas as terras dos mesmos eram distantes daquele local. Não seriamos nem loucos de tentar enfrenta-los, então apenas continuamos rumo a clareira.

Quando chegamos ao local, onde aparentemente havia ocorrido a emboscada, haviam as marcas de combate....mas nada de corpos. Eu e o Bárbaro passamos a analisar o local. Tentar entender o que havia acontecido ali. Na busca, encontramos um Pequeno Pingente, Preto, Branco e Vermelho....a cor das 3 casas da fronteira. Não haviam marcas de Flechas ou elfos...o que deixava tudo ainda mais suspeito.

Seguimos a trilha, atravessando um pequeno Rio que passava ali. Acabamos por encontrar manchas de sangue sendo guiadas a uma direção. Com certeza, alguem havia escondido os corpos. E tinhamos que encontra-los. Seguimos a trilha por uns momentos, e acabamos encontrando um prendedor com o emblema dos Barristan. Provávelmente de meu irmão ou meu pai, usado para prender a capa. Novamente, continuamos seguindo. Seguimos por vários metros seguindo o sangue, mesmo acabando nos perdendo algumas vezes. Acabamos caindo em uma clareira, onde não havia mais sinal do sangue.

Farrely subitamente pediu para esperarmos. E logo, pudemos ouvir barulhos vindos de todos os lados. 8 pessoas vestindo mantos Brancos surgiram de todos os lados. Diziam que estavamos perdidos, e que não deveriamos estar ali. A Princípio, começei a pensar se tinhamos entrado no território do Clã do Quetzacolt...mas não era o que parecia. Os 8 disseram para irmos embora e não voltarmos....e foi o que fizemos. Enquanto voltavamos, falei para Farrely o que eu acreditava. Achava que aqueles eram os Laochs, mas que seria insanidade imaginar isso.

Foi quando novamente, fomos abordados. Desta vez por um ser....meio pantera...um dos membros do Misterioso Clã da Pantera. Dizia que haviamos entrado no território deles a meio dia atrás. Por incrível que parecesse, aquele homem parecia ser extremamente sábio....e perigoso. Conversamos por alguns momentos, e parecia que eles já estavam cientes do que estava acontecendo....e então nos retiramos. Acampamos dentro da floresta mesmo, tomando cuidado para tal, e logo, disparamos devolta para a cidade.

Bem...foi ai que as coisas ficaram meio tensas. Bem....nos perdemos. Passamos quase 4~5 dias entre a floresta, os Canions, e Eltz. Não preciso dizer, que a ração acabou, e acabamos caçando criaturas bem diferentes como...escorpiões, ou serpentes para não morrermos de fome. Quando chegamos a Eltz, foi praticamente uma comemoração (claro que antes de entrar na cidade, eu acabei trocando o Kilt pelas calças).

Resolvi ir com meu novo colega até a Fortaleza, para lá comermos e descansarmos em paz. Como era madrugada, seria difícil achar alguem, mas nada que realmente importasse. Bem, as coisas ficaram melhores quando o guarda logo na entrada me disse que meu pai havia despertado. Enfim, parecia que nem todas eram más notícias. Mesmo que nossa investigação tivesse dado poucos frutos, meu pai poderia dizer o que realmente havia acontecido, e então dariamos um jeito nos verdadeiros culpados.

Corremos rapidamente para os aposentos de meu Pai. Não haviam guardas, o que era de fato estranho. Farrely ficou no corredor enquanto eu adentrava o quarto...apenas para presenciar a cena de alguem acabando de sufocar meu pai com o Travesseiro. Puxei a espada rápidamente gritando pelos guardas, porém tudo em vão.....o homem saltou pela janela em direção ao Abismo...e flutuou como se possuisse asas.

Quanto os soldados chegaram, já era tarde demais. Ordenei que o castelo fosse fechado imediatamente, mas meu pai já estava morto. Gregor esvaziou o quarto e me questionou sobre o que tinha acontecido....e logo em seguida saiu do quarto, dizendo que isso requeriria vingança, e acusando os bárbaros novamente pelo assassinato.

Me dirigi até Farrely explicando o que havia acontecido. E logo fomos abordados por um guarda, dizendo ter recebido um mensageiro. Eu fui até o mesmo para pegar a mensagem. Pertencia a Frederic, o Prefeito de Armaduk, e Braço direito de meu Pai. Ele dizia que uma grande tropa de Orcs da tribo do Javali havia arruinado um vilarejo ao norte, e seguia para a cidade. Ele pedia o auxílio de tropas, já que não tinha como defender sozinho. Rapidamente peguei a carta e entrei novamente na fortaleza.

Procurei por Gregor, mas acabei encontrando meu irmão Rickard, esteme disse que Gregor se encontrava na Sala de Guerra com o General de meu pai. Traçavam as rotas e estratégias para invadir o território bárbaro. Expliquei a ele sobre a necessidade de tropas de armaduk, e ele disse que não iria atender. Em breve representantes das 3 casas da fronteira e do Rei estariam lá, e todas as tropas dos Barristan viriam para Eltz.

Tivemos uma discussão acalorada. Gregor se recusava a tentar salvar a vila, e se focava em um conflito. Acabei por sair do salão a pedido de Rickard, que acabava por apoiar a idéia do meu irmão. Não discuti com ele...já estava farto.

Eu e Farrelly iriamos sozinhos até  o vilarejo. Pegamos alguns suprimentos, e 2 cavalos e partimos em disparada.

Gregor é um tolo. Nenhum Bárbaro enviaria um assassino oriental contra meu pai. Alguem estava comandando isso...e esse alguem, me pagaria muito, mas muito caro. E a única pessoa que talvez pudesse me ajudar....era a sobrevivente do primeiro ataque da Tribo do Javali. Uma Oriental, dentro de nosso feudo.

Meu pai morreu...e em poucas horas, parece que todo o mundo, resolveu voltar a mover as sanguinárias armações de guerra. Que os Deuses nos protejam.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Xīn Qiáng

Xīn Qiáng


Dizem que o Shogum Washiyama é severo, conhecido por sua ordem e honra acima de tudo, nada foge aos olhos do Shogum, casado com Xin seu sonho sempre foi o de um filho homem para dar continuidade aos seus feitos, porem ao invés disso a vida é abençoou com uma filha, Hoso Are.
No auge entre a guerra dos feudos, Washiyama ofereceu a mão de sua filha para o filho de seu grande rival Okina Chiroi, do Clan Tora Suihei Hokō.  Pelo tratado o filho de Okina governaria o feudo enquanto porem seu filho com Hoso Are levaria o nome de Washiyama. Isso “selou” um acordo de paz entre as famílias.
Xin tem uma péssima reputação por nunca mais ter conseguido ter filhos, os boatos que correm é que quase morreu no parto de Hoso Are e depois disso ficou infértil. Washiyama não respeita nem se importa, pois acredita que tanto Xin quanto Hoso Are são culpadas pelos problemas do reino, pois se tivesse um filho homem, ninguém estaria pensando em tomar seu reino que sempre foi de sua família, após sua morte. 

Hoso Are estava ansiosa, aguardando os novos comerciantes que viriam falar com seu pai, diziam que eles eram grandes e que seus olhos eram redondos e azuis, Hoso Are nesta época tinha 13 anos, e estava imensamente curiosa por ver esses comerciantes, claro que seu pai havia proibido que qualquer mulher da casa saísse, como sempre. Mas Hoso Are achava que se seu pai não visse, não haveria problema, andando descalça para não fazer barulho Hoso Are caminhou até a saída do feudo, correu pelos lugares que já conhecia que usava para esconder, quando seu pai estava com raiva. E por fim do alto dos murros da Oyá ( Casa Grande)  conseguiu avistar alguns, eram muitos homens e alguns tão novos quanto ela, eram enormes, usavam grandes armas e espadas retas, diferentes das armas que Hoso Are estava acostumada a olhar, mas o que impressionou Hoso Are eram os olhos, ficou por muito tempo observando aqueles olhos, quando menos percebeu o homem que estava observar, como se sentisse os olhos de alguém, procurou e encontrou os olhos de Hoso Are...

... 9 meses depois, Hoso Are estava na cabana da família afastada de tudo, convivendo somente com uma ama e com o Samurai Wushi Gai, estava chegando a hora do parto, a criança não parava de mexer, sabia seu fim. Morreria nas mãos do Samurai, seria executada sem nem ao menos olhar para a luz do sol. Seu pai havia sido claro, seu casamento estava marcado e seria necessário dar um fim a criança.
O parto não foi fácil, a criança nasceu depois de muito custo, Hoso Are estava a desmaiar quando a ama disse, é uma menina, Hoso Are somente disse:
- Amaldiçoada pelos homens com seus lindos olhos, amaldiçoada por mim como foi com minha mãe. Xin.
Desmaiou.
Wushi Gai tirou o bebe das mãos da parteira e seguiu para fora da casa. Puxou sua Wakisashi porem na hora de penetrar o corpo do bebe, o pequeno abriu os olhos e eles se encontraram com dos de Wushi Gai. Quando viu aqueles olhos azuis ele sabia que não conseguiria fazer aquilo, sabia que isso estava errado, o bebe não devia pagar pelos pecados da mãe e da avó, aquele pequeno bebe mudaria tudo, aquele pequeno par de olhos azuis mudaria tudo o que Wushi Gai acreditava e ele sabia disso, num gesto ele guardou a criança em uma bolsa, subiu em seu cavalo e partiu, precisava salvar o bebe e principalmente precisava manter a sua honra.
Correndo o mais que seu cavalo podia agüentar, Wushi Gai cortou as planícies do feudo em menos de algumas horas, sabia onde deveria ir, o único lugar que ninguém encontraria a criança de olhos azuis, o monastério de Wahei Maindo, mestre Anshin Sagashi iria cuidar da garota, iria protegê-la e prepará-la para o mundo, depois mais tarde Wushi Gai iria buscá-la pra tomar o que era seu por direito...
 ...Xin nunca entendeu porque sempre estava com os olhos vendados quando tinham outras pessoas perto, ela sabia que enxergava o monge sempre lhe ensinava as coisas sem que ninguém visse. Ela sabia as cores e as formas.
Quando tinha 10 anos Xin perguntou por que não podia ficar sem a venda como as outras crianças, o monge levou-a até uma tina de água, e pediu que ela olhasse seu reflexo, e neste momento Xin entendeu, ela não era como os outros, o monge explicou que seu pai era de um lugar diferente, mas Xin sabia, ela não era como as outras crianças, ela era um monstro.
Desde então Xin treinou e estudou maneiras de fugir de si mesma, do futuro como o monstro das historias que os monges contavam no monastério.
Quando completou 15 anos o monge pensou que era hora que entendesse que não era um monstro e que existiam pessoas diferentes por todo o mundo, lhe chamou e disse que seu treinamento estava completo, disse que não queria que ela continuasse ali, queria que ela  fosse atrás de seus sonhos, e que em muitos lugares seria bem recepcionada e não precisaria viver daquele jeito, seus olhos seriam apreciados como deveriam ser.
Xin se foi em direção ao centro, onde está no momento. Apesar do treino Xin nunca utilizou-se de lutas, ela nunca revidou um tapa, pois precisa manter o auto controle, para nunca se tornar mau como ela acha que é.