| Thornn Mireford |
O mundo anão dentro das cavernas, onde o dourado tem muito mais significado do que ouro. Nascer com essa cor em barbas e cabelos significa que você nasceu com uma responsabilidade, com um dever para com a sua casa e para com a sua raça, a realidade de todos os anões de barbas douradas, os líderes que orientam a sobrevivência de minoria.
Doren Mireford IV “O dedo de ouro”, atual líder da montanha é um guerreiro que nunca perdeu uma batalha, um anão que levou prosperidade e gloria a todos em Minoria, dizem que desde pequeno ele sente onde o ouro está apenas por tocar a pedra, nunca errou uma orientação de escavação, por isso o nome dedo de ouro, pois onde ele aponta é encontrado ouro. Os mais religiosos dizem ser um dom místico dado pelo próprio Aros, os mais tolos dizem que é pela montanha ser repleta de ouro, e os mais sábios dizem que ele tem um dom de observação mais apurado que o normal. Um anão robusto, com uma barba branca enorme, vestido sempre de armadura completa feita de todos os metais da montanha, aço, cobre, prata e ouro. Representando cada uma das castas de divisão de seu povo.
O rei tem 3 filhos o mais velho Lofarr, Darian e o mais jovem Thorn. O primogênito o mais forte dos três irmãos, um guerreiro habilidoso e forte, as lendas dizem que nunca erra um golpe, mesmo quando seu machado é bloqueado por um escudo inimigo ele sempre destrói o escudo e o inimigo, sempre com um golpe, nada mais. Darian é o filho do meio, sem o rubor do irmão mais velho, sem a mesma habilidade para armas nem o mesmo vigor, mas com uma inteligência que fariam fazem até mesmo o pai ter medo, “uma língua afiada é mais mortífera do que 100 machados” dizia o rei.
E Thorn o mais novo, sem a mesma força de Lofarr e sem a inteligência e Darian, o que lhe sobra? Bem alguns dizem ser o mais bondoso dos três e sem dúvidas o mais responsável, sempre tentando apartar a briga dos irmãos mais velhos, que sempre começam com a língua de Darian e terminam com os socos de Lofarr.
Depois de muitas luas levando a coroa, o rei Doren achou melhor passa-la antes de perder seu vigor e se tornar um líder fraco, ele preparou seu primogênito para ser um rei melhor do que ele um dia fora, forte, vigoroso e carismático. A coroa de Minoria, uma coroa de ouro puro, cravejada de rubis com um enorme em seu centro, simbolizando a riqueza das minas, dizem que foi forjada pelo próprio Aros com o ouro mais puro do mundo, que simplesmente colocar na cabeça exige uma força e vigor enorme pelo peso. O rei é armado pelo Machado anão Levonir e defendido pelo escudo Tarian que junto com a coroa formam os maiores tesouros dos anões.
Levonir é um machado de batalha anão comum a primeira vista, mas uma não reconhece os entalhes e runas feitas com finos fios de ouro, uma arma linda e excepcional, que parece nunca perder o corte e sempre estar ao lado direito do rei. Do seu lado esquerdo, o escudo Tarian, um escudo de corpo anão, feito de aço, ouro e pedras preciosas, com o símbolo da forja de Aros em ouro, dizem que ao ficar atrás do escudo o rei se torna intocável, que nada nem ninguém conseguiu arranhar o escudo, mesmo com o passar das décadas seu brilho não se ofusca.
As lendas dizem que os três juntos dão ao rei um poder excepcional, que quando o próprio deus Aros caminhava pela terra como mortal, Doren I “o maior” o ajudou a aprisionar uma criatura nas profundezas da terra, no posteriormente iria se tornar a montanha de Minoria, por sua ajuda forjou a coroa, o machado e o escudo e os banhou em seu próprio sangue, dando aos três propriedades míticas. Com a sua força e os três artefatos Doren I ergueu a montanha para construir a maior cidade anã do mundo, para que toda a sua descendência pudesse servir para guardar o sono da criatura. Os mais tolos não acreditam nas lendas gravadas na pedra da sabedoria, coração da historia anã, uma pedra monumental feita de um material que nem mesmo os próprios anões conhecem alguns a chamam de pedra da lua, ela é guardada no coração da cidade, e ao longo de sua extensão conta a historia de toda a raça anã, onde todo rei entalha ele próprio a sua própria história.
• Loffar:
Acordo em minha cama como de costume, me lavo e coloco a minha armadura de batalha. Uma linda armadura com detalhes em prata, ouro, bronze e aço, representando a raça anã, diferente da do seu pai, mas com a mesma beleza e extremamente rica em detalhes, runas e ornamentos, uma vestimenta digna de um rei, e isso logo serei. Olho para mim mesmo e imagino como serão as minhas histórias e que feitos heroicos serão dignos para serem gravados na pedra da lua.
Me arrumo como nunca em minha vida, coloco anéis de ouro em minha barba e corto meu cabelo com meu machado, como qualquer anão que se preze. Desço as escadas que me separam dos salões mais baixos, onde haverá um café da manhã digna de um novo rei. Ao ouvir vozes e risos meu coração se enche de ansiedade, os guardas da enorme porta de bronze fazem reverencia, eu não olho e empurro a porta em direção ao cheiro de carne de porco e cerveja preta, encontro diversos rostos conhecidos que se levantam ao me ver entrar, parentes de barba dourada, cavaleiros e lords, mesmo os de outras cidades menores. Na cabeceira da enorme mesa retangular de pinho do norte, avisto meu pai o Rei Doren IV sentado, esperando enquanto mexe na longa barba branca sem adornos. A cadeira no seu lado direito permanece vazia, onde eu me dirijo para tomar lugar.
Ao chegar em meu lugar, meu pai me olha com um tom calmo esperando que eu fale algo. Depois de um leve pigarro, minha voz ecoa grossa e forte como um martelo de forja.
- Muito Obrigado pela presença senhores, hoje é um grande dia para mim e para nossa familia, hoje eu serei testado para os votos de liderança e provarei que sou digno de usar a coroa, o machado e o escudo.
Depois de gritos de vivas vindos de todos na mesa, me sento acompanhando por todos, meu pai começa a comer e assim eu depois todos os outros.
Risos, barulhos de brindes, e fumaça de fumo, o melhor ambiente para um anão como eu, depois de comer uma perna de javali com uma bela caneca de cerveja, uma refeição especial para o café da manhã. Enquanto como e falo aos berros com meus companheiros de sangue, bebo mais cerveja, quando chego a quinta caneca olho para a ponta da mesa avistando uma silhueta conhecida se aproximando.
- Salve senhores de ouro, é com grande prazer que me junto a vocês nesse delicioso café da manhã.
Vestido com uma túnica vermelha, sempre com um sorriso enorme no rosto, uma barba grande como a minha, mas bem penteada e arrumada demais para um anão, uma voz com tom de ironia e sarcasmo que me irrita até a alma, meu amado e odiado irmão, Darian.
- E ai meu caro irmão como está nesse dia importante, hoje é o dia que será proclamado rei, e todos nós e até as rochas se curvarão perante ti, tsk tsk.
- ESTÁ BRINCANDO COMIGO IRMÃO?
Me altero, meu pai põe a mão em meu peito assim que eu ameaço me levantar.
- Basta Darian, hoje é um dia importante para seu irmão contenha sua língua dentro de sua boca.
- Sim claro pai.
- E você Lofarr deve saber se controlar, um rei deve ser a sabedoria de nossa montanha.
- Nossa será perigoso ela cair sobre nossas cabeças...tsk tsk tsk
Os parentes riem ao ouvir a piada de Darian, eu fico vermelho coloco a mão sobre meu machado, o seguro e aperto até que a dor me acalme.
- Bem senhores, sinto dizer mas tenho assuntos a resolver, antes que meu irmão se irrite mais com o meu bom humor, tsk tsk tsk
Ele arranca um pedaço de pão preto e se retira do salão sem olhar para trás, acompanho seu andar até que ele atravessa a porta de aço, gostaria que Thorn estivesse aqui, por sinal onde será que aquele garoto se escondeu.
• Thorn:
Ser o mais jovem tem as suas vantagens, sou o menos requisitado em reuniões de conselhos, ou exigências extravagantes de meu pai. Os meus irmãos estão sempre brigando, Lofarr sempre com o jeito esquentadinho e Darian com seu humor, às vezes me parece que ninguém me nota, mas isso por um lado é bom, assim posso explorar as cavernas sem que notem a minha falta.
Conheço essa montanha como a palma da minha mão, já cavei, escalei e procurei em todos as partes desse enorme labirinto, só não pude ir na parte mais profunda da montanha, existe uma escada antiga, mais antiga talvés que a própria montanha, ela é proibida, nenhum anão se arrisca a descer, mesmo os mais valentes, dizem que é um lugar amaldiçoado, onde criaturas da noite esperam para abocanhar qualquer alma que passe em sua frente. Lendas e mais lendas, as vezes acho que elas existem para proteger algo que alguém quis esconder, talvez um tesouro, ouro e joias sem limites.
Sentado na sacada de pedra, olhando os barbas de cobre treinando e outros escavando um novo túnel de acesso para o piso superior, da sacada posso ver praticamente todas as casas de pedra que se espalham por uma grande planície escavada na rocha, dentro da cidade, uma variedade de espelhos feitos de pedra foram colocados para refletir a luz do sol, iluminando toda a vila e mostrando em que parte do dia estamos.
Ouço passos atrás de mim, automaticamente me viro e encaro uma figura conhecida e querida, em uma veste vermelha meu irmão Darian sorri para mim, e eu sorrio de volta, fazendo um comprimento com a mão no peito.
- Bom dia meu caro irmãozinho, como está se saindo na observação dos mineradores? Meio monótono imagino, mas tenho certeza que é mais interessante do que ver Lofarr bebendo igual a um troll das montanhas, tsk tsk tsk
- ahahahha verdade, o cheiro ele já tem mesmo!
Nós dois rimos da piada lembrando do dia em que Darian colocou extrato de gamba na armadura de Lofarr, justamente antes de um torneio, onde ele teve que lutar com um cheiro que sozinho já derrubava os inimigos.
- Mas não é pra rir que eu vim aqui, tenho um segredo pra você, mas você tem que jurar que isso nunca vai ser falado por ai.
- Claro irmão, pode me contar, minha boca é um tumulo
- Bem então, estava no café da manhã com nosso irmão e nosso pai, bem eles comentaram algumas coisas de você.
- Sério que tipo de coisa?
- Bem que agora que Lofarr se tornar rei, como você não tem idade para assumir como comandante ou general, você será responsável por cuidar dele.
- Como um guarda costas?
- Não como uma camareira.
• Damian
Corro as escadas do palácio sorrindo, ao chegar a porta, faço a melhor cara de assustado que pude.
- PAI PAI, O THORM DESCEU ATÉ O LUGAR PROIBIDO!
O velho sentado em seu trono com alguns homens que se levantam e cochicham coisas depois de me ouvir. E la estava ele, meu irmão mais velho, Lofarr o mais estupido e ignorante anão que se tenha ideia, seu pensamento limitado me dá agonia, sinto como se eu e ele fossemos de dimensões diferentes.
- VOU ATRÁS DELE! Lofarr grita e se levanta.
- Antes de ir devo adverti-lo que lá é perigoso demais, até mesmo para você meu filho, existem criaturas que são mais velhas que a própria terra, graças aos nossos arquitetos e escavadores, nunca tivemos problemas com elas, parecem que só conseguem viver no mais profundo e escuro das cavernas. Leve isso com você, hoje é o dia de sua coroação e não vejo problema em você usar o que lhe é de direito.
O velho anão se levanta tira a coroa e coloca na cabeça do filho mais velho, pega seu escudo e coloca no braço direito e entrega seu machado que o acompanhou em diversas batalhas.
- Trarei ele de volta pai!
- Eu irei com você, afinal ele também é meu irmão.
- Não Damian eu vou só, como serei um rei se não consigo resgatar meu próprio irmão!
- Bem eu não perguntei eu afirmei, eu vou com você
Meu grotesco irmão faz uma careta de desgosto, aperta o cabo de Levonir e começa a correr em direção a porta. Como é fácil tsk tsk tsk
Corremos como se estivéssemos caçando orcs, descemos um enorme lance de escadas, até que elas acabaram e um túnel largo se dirige para cada vez mais fundo, meu irmão cotidianamente olha para o chão procurando pistas do paradeiro de Thorn, corremos durante horas, sem sessar e em silencio a cada metro a descida se tonava mais íngreme e mais escura.
Descemos ainda mais e um silencio mortal se mostra entre mim e meu estupido irmão.
Sons, sons barulhos, eu e meu irmão paramos para ouvir quando estávamos quietos tentando escutar algum sinal de nosso irmão mais novo um barulho nos faz correr.
- ME LARGUEM CRIATURAS! VOU ARRANCAR AS SUAS ENTRANHAS E DAR AOS PORCOS!
A voz juvenil de nosso irmão, Lofarr corre como tomado por uma fúria guerreira, eu não o sigo por alguns minutos, e depois começo a caminhar, ouvindo barulhos de machadas e gritos de guerra.
Ao chegar mais perto vejo a cena, mais ou menos 30 criaturas feitas de pedra e barro, disformes e feias, com uma média de 2,30 de altura com braços longos cheio de farpas. Meu irmão destrói um com um golpe, o meu irmão mais novo é segurado por duas dessas criaturas e eu assisto.
Meu irmão bate e vai destruindo as criaturas, e elas por sinal dificilmente conseguem tocar no escudo, um detalhe importante é que mesmo nessa escuridão é possível ver uma luz que emana dos três itens, bem são mágicos de verdade, tsk tsk tsk.
Meu irmão destrói 4 criaturas, uma delas acerta um golpe em cheio no escudo e ele é jogado contra a parede de rocha. Esse é o momento de agir, tomar aquilo que é meu por direito. Falo algumas palavras em uma língua desconhecida, minhas mãos brilham com uma luz amarela.
- Bem irmãos vejo que é a hora de acabar com essa reunião familiar, tsk tsk tsk
- Como assim Damien?!
- Bem meu estupido irmão mais velho, quando vocês morrerem aqui eu serei o rei, não que isso tenha algum significado pra mim, mas descobri uma coisa experimentando meu novo poder.
Com um rápido movimento de mãos, Damien faz mais 30 dos monstros surgirem da própria rocha.
- FOI VOCÊ QUEM ARMOU ISSO??? VOU ARRANCAR A SUA CABEÇA!
- Bem meu irmão, acho que não tsk tsk tsk Matem eles!
Os monstros comandados por Damien investem contra Loffar que se protege com o escudo, mas de repente, uma luz amarela atravessa o salão e o poderoso anão cai, fungando palavrões, em um ultimo segundo antes da queda ele se vira ficando atrás do escudo, enquanto os monstros batem em seu escudo. Com o impacto dos golpes Loffar sente que vai perder a consciência e o escudo cai.
- NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOO! Grita Thorm, que em uma momento de fúria se liberta dos mostros que o segurava e vai ao encontro do irmão.
Ele pula, rola entre os monstros tomando alguns golpes que não o fazem desistir. Ao chegar ao corpo inconsciente do irmão ele pega o machado com as duas mãos, tomado por um súbito desejo de vingança.
- SOMOS IRMÃOS DAMIEN E SE VAMOS MORRER VAMOS MORRER JUNTOS!
Com o machado brilhante ele se prepara para um golpe, bate em uma das colunas do túnel com uma força que fez a caverna tremer.
- VOCÊ É LOUCO! VAI MATAR A TODOS!
Damien faz um gesto rápido, e a coroa voa ao seu punho. Ao ver isso Thorm bate mais uma vez na coluna, antes que os monstros pudessem ataca-lo, há o desmoronamento. E tudo se torna uma grande massa de rocha.
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| Irmãos Mireford |

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